CONTEXTO E DELIMITAÇÃO DO TEMA
Isto é um
fato e ocorre em países do mundo islâmico, com maior rigor naquele cujo regime
político é teocrático, em que religião e poder se confundem. O exemplo adotado
nesta análise é o Irã, onde a lista de horrores tornou-se, infelizmente,
familiar.
CONDIÇÕES IMPOSTAS ÀS
MULHERES COTIANAMENTE
Meninas
são proibidas de frequentar escolas, sendo condenadas ao analfabetismo.
Mulheres são impedidas de trabalhar e de circular nas ruas sem a companhia de
um homem.
Viúvas, sem meios de subsistência, dependem de esmolas ou simplesmente não têm
o que comer.
TRANSGRESSÕES E PUNIÇÕES
Uma
mulher que pinta as unhas pode ter os dedos decepados.
O uso considerado inadequado do véu pode resultar em espancamento ou execução.
Em todo o país, multiplicam-se imagens simbólicas de grupos de figuras
idênticas, sem rosto e sem forma, cobertas da cabeça aos pés por burcas
desconfortáveis.
FUNDAMENTAÇÃO DO SISTEMA DE
SUBMISSÃO
O regime
impõe submissão absoluta, sustentada pela interpretação rigorosa da Sharia, que
reproduz um cenário medieval baseado em leituras específicas do Alcorão,
escrito por Maomé no século VII.
A GRANDE IRONIA
A
exclusão feminina não está nas bases do islamismo, mas nas estruturas erguidas
posteriormente. O próprio Alcorão afirma que “HOMENS E MULHERES SÃO IGUAIS AOS OLHOS DE ALÁ”, exigindo fidelidade
e merecimento equivalentes.
ORIGEM HISTÓRICA DA DISCRIMINAÇÃO
Ao longo
da história, interpretações humanas distorceram princípios originais. Após a
morte de Maomé, Aisha, uma de suas esposas, destacou-se como figura política e
religiosa de grande influência. Durante décadas, ocupou papel central na
transmissão dos ensinamentos islâmicos.
O SURGIMENTO DO HADITHS E DA SUNA
Os Hadiths
são registros das palavras e ações atribuídas a Maomé. A compilação desses
textos originou a Suna, o segundo livro sagrado do Islã. Com o tempo, surgiram
milhares de registros falsificados. O historiador Al-Bukhari identificou cerca
de 7.275 Hadiths autênticos e aproximadamente 600 mil inventados. Parte desses
textos distorcidos serviu para justificar a suposta inferioridade feminina,
inclusive com comparações ofensivas e generalizações misóginas. Aisha contestou
tais deturpações e, por isso, foi marginalizada.
AMBIENTE MISÓGINO
O direito
islâmico passou a ser tratado como absoluto e inquestionável. A pesquisadora
Fatima Mernissi ressalta que, se a democracia alcançou sociedades
judaico-cristãs, não há razão para que não seja igualmente almejada por
mulheres muçulmanas.
MOBILIZAÇÃO FEMININA E
REIVINDICAÇÃO DE DIREITOS
Desde a Revolução
Islâmica de 1979, quando o Irã se tornou uma teocracia, as mulheres sofreram
forte repressão. Surgiram movimentos de resistência, destacando-se o lema
“Mulheres, Vida, Liberdade”, que desafia o regime e o código de vestimenta
obrigatório.
O CASO MAHSA AMINI
Em 2022,
Mahsa Amini, de 22 anos, morreu sob custódia policial após ser acusada de uso
inadequado do hijab. O episódio desencadeou protestos massivos.
A ADESÃO MASCULINA AOS PROTESTOS
A crise
econômica agravada por sanções internacionais impulsionou a participação
masculina nas manifestações, por meio de greves e atos públicos.
ESCALADA DA REPRESSÃO
Com a
intensificação da inflação, do desemprego e da desvalorização da moeda, os
protestos cresceram. Em janeiro de 2026, o governo interrompeu comunicações e
energia, reprimiu violentamente manifestações e promoveu prisões em massa.
OS ATOS DA RESISTÊNCIA FEMININA
Queima de
véus, cortes de cabelo em público e protestos simbólicos tornaram-se marcas da
resistência. Organismos internacionais condenaram as execuções sumárias.
Lideranças políticas internas passaram a exigir reformas democráticas e o
afastamento do poder religioso da política.
CONCLUSÃO
O papel
da mulher no Irã tornou-se um divisor de águas. A recusa ao véu obrigatório
simboliza a resistência contra quase cinco décadas de uma ditadura segregadora,
violenta e corrupta.