Refugiados e Imigrantes são duas conotações semelhantes, mas não iguais . Os dois casos referem-se a pessoas que deixam seu país de origem para vierem em outros países de língua, religião, e costumes diferentes.
- Imigrantes: Indivíduos que fazem essa escolha por: ”opção”,
vontade própria, pelos mais variados motivos ( concluir seus estudos em grandes
universidades, necessidade de tratamento médico melhor especializado, por puro
esnobismo , ou são convidados por determinadas metrópoles em função de seu QI
elevado, caso este que chamamos de “fuga de cérebros do 3º para o 1º mundo,
etc...
-Refugiados- São aqueles que não tem outra escolha e são
obrigados a deixar o país de origem para salvar sua própria vida e a da
família Os motivos também são variados:
guerras, perseguições, exílios, fome, desemprego etc...Nesse caso a maioria
está representada por grupos mais pobres e frágeis, que deixam sua pátria em
busca de um destino mais seguro que lhes proporcione a sobrevivência. O trajeto
até o destino geralmente é feito: a pé, embarcações precárias lotadas acima do
limite, ônibus, canoas, boias etc.... O risco é altíssimo e muitos ficam pelo
meio do caminho por afogamento, assalto suicídios, crimes etc...Os que chegam
ao destino, tem pela frente outros problemas: como atravessar a fronteira?,
para este caso existe “os coiotes” pessoas que favorecem a entrada de refugiados, de maneira ilegal, sabotando e
driblando a polícia. Para isso cobram uma fortuna. Várias famílias vendem tudo
o que tem antes de partir para pagar os atravessadores. Os demais tentam
atravessar a fronteira, pulando a cerca ou atravessando rios, com isso se
tornam alvos fáceis, são presos e deportados.
A ORIGEM DOS DEPORTADOS
A maioria dos grupos são provenientes de países pobres,
geralmente assolados pela guerra ou problemas econômicos, países da América
Latina (mestiços e índios),do Continente Africano ( negros, de costumes e
religião diferente) , Ásia,
principalmente do Oriente Médio e Sul do continente ( amarelos e morenos, em
sua maioria de religião islâmica. Língua e costumes também diferentes). Quando
conseguem entrar em um determinado país encontram forte rejeição da população
local (Xenofobia). Para este texto, escolhi alguns exemplos, que elucidam o
drama dos refugiados.
JUDEUS
Este caso de tão trágico foi escrito na História da
Humanidade, com “tinta de sangue”. Tudo começou, nos anos 70 d.C., quando os
romanos destruíram o Templo de Jerusalém e expulsaram todos os judeus que
viviam na Palestina, o momento ficou conhecido como a “Grande Diáspora”
desorientados, sem saber para onde ir, os judeus em grupos espalharam-se por
todo mundo. O Continente Europeu foi o principal local escolhido para a fuga.
Na Europa os judeus passaram a viver em “guetos” separados da população local,
onde praticavam atos judaizantes (desde a circuncisão até suas orações, através
do Torá). Esse povo viveu como refugiados, sem pátria, na Europa desde de o ano
70 d.C. até 1.947, quando ocorreu um grande êxodo dos mesmos para a Palestina
onde chegaram a criar seu próprio “Estado” em 1.948 , por decisão da ONU. O
judeu durante todo tempo que viveu na Europa nunca foi aceito pelos europeus,
que os consideravam uma grande ameaça.
MOTIVOS DA REPUGNÂNCIA DOS EUROPEUS CONTRA OS JUDEUS
_Primeiro- Em um mundo cristão como a Europa o judeu era
considerado um herege e por isso eram perseguidos pelo povo e vários grupos
(antissemita, inquisição, nazismo etc..)
- Os europeus não aceitavam a circuncisão principalmente em
crianças, considerada um grave delito.
-Terceiro- A prática abominável da usura ou agiotagem
Tudo o que acontecia de mal na Europa , era culpa dos judeus,
que eram caçados, apedrejados, queimados, enforcados e massacrados.
Na Idade Média quando a “Peste Negra” atingiu a Europa, os judeus
foram culpados por espalharem a doença e
por terem envenenado os poços de água, grande parte deles, foram queimados. Em
1.775 exemplos de ódio, em relação aos judeus, ultrapassaram os limites do
bom-senso. Quem visitasse um “gueto” em Londres nessa época poderia constatar
esse ódio através do lema ditos pelos ingleses “Seguidores de Moisés são as
pessoas mais sórdidas e imundas sob o pálio do céu”. Em 1.762, Voltaire, deixou
claro sua observação feita em relação aos judeus. Segundo o mesmo, ao longo das
eras os judeus tinham-se se distinguido, por três qualificativos: “fanatismo,
usura e lepra”. “Eles constituem na verdade doenças ambulantes soltas no
mundo”.
COMO O JUDEU ERA IDENTIFICADO ?
Indivíduo de cabelos longos escorridos ou com duas tranças,
barbas longas, peganhentos e nariz em forma de gancho. Era também demonstrado
como usurário macilento, corpo dobrado sobre a mesa , contando dinheiro,
agradava seu cliente com palavras melífluas enquanto fazia estalar os nós dos
dedos e tirava do coitado, todo dinheiro que possuía. Porém o momento mais
crucial de ódio em relação aos judeus ocorreu durante a 2ª G.M.
O HOLOCAUSTO
Episódio cruel instalado por Hitler, através do Nazismo, na
Alemanha. O Holocausto passou a ser um plano administrativo , denominado “a
solução”, tendo por alicerce a “matança” através de envenenamentos e câmaras de
gás, que levou 6 milhões de judeus á morte, nos campos de concentração de
extermínio, como Auschwitz. Logo após a 2ª G.M o numero de imigrantes judeus
que saíram da Europa aumentou da mesma forma que imigrantes de outras
nacionalidades, que não sabiam como e para onde ir e o que encontrariam onde
chegassem. Foi diante dessa paranoia que a ONU criou o ACNUR (Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Refugiados da 2ª G.M.). O papel desse organismo era
prestar socorro e alojar refugiados em outros países. No caso dos judeus o
maior número de refugiados ocorreu em 1.947, principalmente para a Palestina.
UM SEGUNDO EXEMPLO DE REFUGIADOS – UCRANIANOS
Desde a madrugada gelada do dia 24 de Fevereiro de 2.022,
quando Putin bombardeou a frágil Ucrânia, abriu-se um 2º capítulo a tragédia
humanitária, que aqui chamaremos de “Fuga do Inferno”, segundo o ACNUR, em 12
dias de guerra, cerca de 2 milhões de ucranianos, deixaram seu país .Essa
guerra já dura mais de 4 anos e o numero de refugiados mais do que dobrou.
A FUGA
Vamos tomar como ponto de partida a cidade de LIVIV situada a
Oeste, na fronteira com a Polônia, que até então não havia sido bombardeada e
que passou a ser uma das principais rotas de fuga. O medo tomava conta da
cidade: nas ruas, praças, estação ferroviária, escolas e outros espaços. A
cidade estava lotada de refugiados vindos de todos os cantos do país, e a cada
momento chegava mais e mais. O objetivo era atravessar a fronteira da cidade e
entrar na Polônia ( uma distância de 100 km). O trajeto desse trecho era
percorrido por automóveis, ônibus, trens, e a pé, enfrentando o gelo e a neve.
Entre os refugiados estavam: homens acima de 60 anos, mulheres, crianças, idosos
deficientes etc... Em alguns casos, os ônibus traziam colado no vidro
dianteiro, um cartaz, com a seguinte palavra “DETI” (crianças em russo).
OBSERVAÇÃO- Homens de 18 a 60 anos não tinham permissão para deixar o país,
foram convocados para defender a Pátria.
O DRAMA DOS REFUGIADOS UCRANIANOS
Em 1º lugar, a dificuldade, encontrada para sair uma vez que
os “corredores humanitários” não haviam sido liberados por Putin, no início, e
intervalos durante a guerra, portanto sujeitos a bombardeios. Em 2º lugar só o
fato de deixar seu país por medo e pavor do que está por vir pela frente era
uma decisão dolorosa. De uma hora para outro tudo o que você viveu, seus
pertencentes, amigos, parentes , parte da família ficam para trás. Pais até 60
anos impedidos de sair, postavam-se nas janelas dos ônibus, com os olhos
marejados para dar possivelmente o último adeus a família. Um fato que me
comoveu, e neste caso não citarei nomes para manter sigilo, em respeito a
família; foi o de um menino com 11 anos de idade que chegou de trem a
Eslováquia (refúgio), desceu do trem sozinho, trazia uma mochila nas costas, um
celular no bolso e um numero de telefone escrito na palma da mão. Os
voluntários que sempre permaneciam no local de chegada, notaram que o menino
estava perdido e o abordaram, perguntando : “Onde está sua mãe? Estou sozinho.
Para onde você vai? Não sei. Perceberam o numero de telefone nas mãos do menino
e ligaram entrando em contato com a mãe, tranquilizando-a. Logo após, a mãe em
vídeo explicou que teve que ficar no país para cuidar da avó imobilizada. A mãe
emocionada agradeceu a Deus e a ajuda dada ao seu filho.
UM PEQUENO BALANÇO DE REFUGIADOS DOS SÉCULOS XX E XXI
- 2ª Guerra promoveu 12,5 milhões de refugiados que deixaram
a Europa para vários países, alocados e cuidados pelo ACNUR.
- Na década de 1.970 com a guerra da independência de
Bangladesh em 9 meses, deixaram o país
mais de 10 milhões de refugiados.
- Na década de 1.990 , a guerra dos Balcãs (Bósnia e Kosovo),
promoveram cerca de 3 milhões de refugiados, em um período de 8 anos
- A Síria, cujo conflito teve inicio em 2.011 e o episódio já
foi considerado pela ONU , como a maior crise humanitária do século XXI,
milhares de refugiados vivem como gado preso em um curral, nos acampamentos
precários na Turquia, Líbano, Jordânia , Iraque e Egito. Muitos foram para
Europa que não demonstrava nenhuma vontade em recebe-los.
TRUMP E A CRUELDADE CONTRA OS REFUGIADOS
Nenhum país tem a obrigação de receber refugiados ilegais,
caso isso ocorra eles podem impedir sua entrada na fronteira, ou internamente
rejeitar, prender e deporta-los, porém
sem estigmatiza-los ou promover crueldade; isso seria extrapolar os “Direitos
Humanos Universais”. O presidente Trump desde seu 1º mandato rotulou todos os
refugiados como criminosos e narcotraficantes.
A ILUSÃO
Para os refugiados e imigrantes os EUA representa o “pote de
ouro” no fim do “arco íris” essa ilusão acaba atraindo um grande numero de
estrangeiros. A maioria dos refugiados que buscam os EUA , provém da América
Latina (parte mais pobre e turbulenta do continente), para eles basta
atravessar a fronteira do México e atingir o paraíso. Trump desenvolveu vários
projetos para conter a entrada.
PROJETO POLEMICO
O principal de todos os projetos desenvolvido pelo presidente
em seu 1º mandato, foi o de construir um “MURO” separando o México dos EUA . O
projeto “faraônico, tornou-se polemico, devido a vários fatores:
- Criticado veementemente pelas organizações internacionais
como um abuso contra os direitos humanos
- O custo da obra foi estipulado em 5,7 bilhões de dólares e
o Congresso não aprovou.
- A falta de consenso entre democratas e republicanos para a
construção do muro gerou muita turbulência no plenário. Até que depois de muita
discussão os dois partidos chegaram a um acordo de liberar 1,3 bilhão de
dólares para o projeto (quantia insuficiente)
- Em Julho de 2.019 a Suprema Corte autorizou a liberação de
mais 2,5 bilhões de dólares do orçamento do Pentágono (ainda não dava). Embora
Trump tenha conseguido quase a metade daquilo que poderia ser uma “grande
vitória” para a segurança da fronteira e do Estado de Direito, até hoje o muro
não foi concluído. Entre 2.019 e 2.020, o mundo assistiu uma marcha colossal de
refugiados (de guerrilhas, fome , miséria e desemprego) que ocorria em
Honduras, El Salvador, Nicarágua e Guatemala, (Am. Central). Os refugiados
seguiam a pé até o México para em seguida, pular as cercas, atravessar o Rio
Grande e furar o bloqueio da fronteira , porém logo em seguida era detidos pela
policia de fronteira , que os maltratavam, prendiam em campos de concentrações
separando filhos de pais .
O SEGUNDO MANDATO
A promessa de campanha foi a de concluir o que não havia
acabado em relação aos refugiados.
UM ATO QUE CAUSOU INDIGNAÇÃO
Logo em seus primeiros dias de governo Trump deportou
forçadamente milhares de refugiados para seu país de origem. Todos os que foram
capturados (homens, mulheres, crianças, idosos, deficientes ) fizeram uma
viagem de volta algemados e maltratados pela tripulação da aeronave, até
brasileiros entraram nessa lista. Quando vi através dos noticiários a chegada
do primeiro avião americano pousando no Brasil e o desembarque dos refugiados
descendo do mesmo, fiquei estarrecido, senti pena e fiquei humilhado. Todos,
desceram da aeronave e pisaram em solo brasileiro , algemados, cabisbaixo e
escoltados ; como se fossem “lixo humano” ou pior criminosos de alta
periculosidade
ICE- SERVIÇO DE IMIGRAÇÃO E ALFANDEGA
Em Janeiro de 2.026, a Casa Branca e o D.H.S., publicaram um
anuncio de recrutamento para o ICE. O anuncio trazia a seguinte mensagem:
“Nosso Lar será Nosso novamente”. E mais, declarava que os agentes do ICE não
precisariam de mandato para abordar ou invadir residências de refugiados, para
prenderem e utilizar de brutalidade.
OBJETIVOS DO ICE
Promover uma verdadeira “caça as bruxas”, no caso os
refugiados, onde quer que fosse. O medo e o terror, espalhou-se entre os
refugiados e cidadãos americanos. Um exemplo típico
dessa brutalidade ocorreu em Minneapolis (estado de Minnesota) com o
assassinato de Renee Good, por agentes do ICE fato este que promoveu uma onda
de manifestações contrárias em várias cidades do estado. Dezessete dias após a
morte de Renee, foi a vez do enfermeiro Alex Pretti, cidadão americano, sem
passagem pela polícia, que também foi assassinado pelos agentes.
A FÚRIA DA POPULAÇÃO AUMENTOU
Os movimentos populares cresceram e se tornaram mais tensos .
A revolta era incontrolável . Trump descreveu as manifestações como
“insurgência” de Minneapolis contra o governo federal e aumentou o numero de
agentes para conter os protestos contrários a repressão a imigração. Além
disso, o presidente, ameaçou invocar a “Lei da Insurreição”(de 1.807), que
permite o uso das forças armadas para asfixiar a revolta.
O DESABAFO DO GOVERNADOR DE MINNESOTA
“Minnesota não aguenta mais. Isso tudo é demência . O
presidente tem que por um fim nessa operação. Retire os milhares de agentes
violentos e mal treinados do estado que eu governo: Agora!” e ainda fez uma
pergunta a Trump: “ Quantos americanos mais precisam morrer ou ficar gravemente
ferido para que essa operação termine? Concluindo: É vergonhoso que em pleno
século XXI, tempo esse que comprova que as democracias é o modo mais sensato e
coerente de governo; saber que a sanha autoritária conduza o mundo ao terror.
Nosso breve texto não relata todos os acontecimentos desse tipo no planeta.
Apenas alguns exemplos . O Continente mais fragilizado da terra em função da
pobreza, fome, guerrilhas, etc... é a África onde o movimento de refugiados é
incessante para todos os locais do mundo e dentro do próprio continente. Os
danos sofridos por todos os refugiados são profundos e se instalam na alma como
cicatrizes para o resto da vida. Como traumas duradouros, pesadelos,
dificuldade de relacionamento etc...Infelizmente estas marcas nunca se apagam.
VIDAS INTERROMPIDAS.
PROF. MARCOS MORAES
Da IA
O DRAMA DOS REFUGIADOS
Refugiados e imigrantes são termos próximos, porém distintos. Ambos se referem
a pessoas que deixam o país de origem para viver em nações com língua, religião
e costumes diferentes. A diferença fundamental está na escolha.
Imigrantes são aqueles que decidem
migrar por vontade própria, movidos por razões diversas: concluir estudos em
universidades de prestígio, buscar tratamento médico especializado, aproveitar
oportunidades profissionais ou atender a convites feitos por grandes centros
econômicos — fenômeno conhecido como “fuga de cérebros”, quando talentos de
países em desenvolvimento são absorvidos por nações mais ricas.
Refugiados, por sua vez, não partem
por escolha, mas por necessidade extrema. São obrigados a abandonar sua terra
para preservar a própria vida e a de seus familiares. Fogem de guerras,
perseguições políticas ou religiosas, fome, colapso econômico ou violência
generalizada. Em sua maioria, pertencem a grupos socialmente vulneráveis, que
deixam tudo para trás em busca de sobrevivência. O percurso costuma ser
dramático: longas caminhadas, embarcações precárias superlotadas, travessias
clandestinas. O risco é permanente — afogamentos, crimes, exploração e
deportações. Muitos sequer chegam ao destino.
Aqueles que alcançam a fronteira enfrentam novos obstáculos. A travessia ilegal
frequentemente envolve atravessadores conhecidos como “coiotes”, que cobram
valores exorbitantes. Famílias vendem tudo o que possuem para custear a fuga.
Outros tentam cruzar rios ou cercas, tornando-se alvos fáceis de prisões e
deportações.
A origem dos deportados
Grande parte dos refugiados provém de regiões marcadas por conflitos armados ou
crises econômicas severas: países da América Latina, do continente africano, do
Oriente Médio e de partes da Ásia. Ao chegarem ao destino, enfrentam
frequentemente rejeição social e xenofobia, agravando ainda mais sua
vulnerabilidade.
Para ilustrar o drama histórico dos refugiados, destacam-se dois exemplos
emblemáticos.
O caso dos judeus
A dispersão do povo judeu remonta ao ano 70 d.C., quando o Império Romano
destruiu o Templo de Jerusalém, episódio que desencadeou a chamada Diáspora. Ao
longo dos séculos, comunidades judaicas espalharam-se pela Europa, muitas vezes
confinadas em guetos e submetidas a perseguições religiosas, sociais e
políticas.
Durante a Idade Média, foram injustamente responsabilizados por epidemias como
a Peste Negra. No século XX, o antissemitismo atingiu seu ápice com o
Holocausto, promovido pelo regime nazista de Adolf Hitler. Aproximadamente seis
milhões de judeus foram assassinados em campos de extermínio, como Auschwitz.
Após a Segunda Guerra Mundial, intensificou-se o movimento migratório judaico
para a Palestina, culminando na criação do Estado de Israel, em 1948, por deliberação
da Organização das Nações Unidas.
O caso dos ucranianos
Em 24 de fevereiro de 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma
grave crise humanitária. Milhões de ucranianos foram forçados a deixar o país,
especialmente mulheres, crianças e idosos, já que homens entre 18 e 60 anos
foram convocados para a defesa nacional.
Cidades como Lviv tornaram-se rotas estratégicas de fuga rumo à Polônia. O
trajeto era marcado por frio intenso, superlotação em trens e ônibus e
incerteza absoluta. Histórias comoventes emergiram, como a de crianças que
cruzaram fronteiras desacompanhadas, carregando apenas uma mochila e um número
de telefone anotado na mão.
Breve panorama histórico
A Segunda Guerra Mundial gerou cerca de 12,5 milhões de deslocados na Europa. A
independência de Bangladesh, na década de 1970, provocou mais de 10 milhões de
refugiados em poucos meses. A guerra dos Balcãs, nos anos 1990, produziu
aproximadamente 3 milhões de deslocados. O conflito sírio, iniciado em 2011, é
considerado uma das maiores crises humanitárias do século XXI.
Políticas migratórias contemporâneas
Nenhum Estado é obrigado a aceitar imigrantes irregulares; contudo, a aplicação
das leis deve respeitar os princípios dos direitos humanos. Durante o governo
de Donald Trump, políticas migratórias mais restritivas foram implementadas,
incluindo a proposta de construção de um muro na fronteira entre Estados Unidos
e México, medida que gerou intenso debate político e internacional.
Operações de deportação em massa também provocaram controvérsias, especialmente
quando envolveram denúncias de tratamento degradante. O debate entre soberania
nacional e dignidade humana permanece central nas discussões contemporâneas
sobre migração.
Conclusão
O fenômeno dos refugiados não é circunstancial nem restrito a uma região
específica; é uma realidade recorrente da história humana. A África, em
particular, continua sendo um dos continentes mais afetados por deslocamentos
forçados.
Os impactos não são apenas geográficos ou econômicos, mas profundamente
psicológicos. Perder a pátria, a casa e a segurança deixa marcas que atravessam
gerações. São vidas interrompidas, histórias fragmentadas e identidades
reconstruídas à força.
Refletir sobre o drama dos refugiados é, sobretudo, refletir sobre humanidade,
responsabilidade e compaixão.
Prof. Marcos Moraes