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sábado, 24 de janeiro de 2026

QUANDO A LEI SE TORNA CASTIGO: A CONDIÇÃO FEMININA NO ISLAMISMO

CONTEXTO E DELIMITAÇÃO DO TEMA
Isto é um fato e ocorre em países do mundo islâmico, com maior rigor naquele cujo regime político é teocrático, em que religião e poder se confundem. O exemplo adotado nesta análise é o Irã, onde a lista de horrores tornou-se, infelizmente, familiar.

CONDIÇÕES IMPOSTAS ÀS MULHERES COTIANAMENTE

Meninas são proibidas de frequentar escolas, sendo condenadas ao analfabetismo.
Mulheres são impedidas de trabalhar e de circular nas ruas sem a companhia de um homem.
Viúvas, sem meios de subsistência, dependem de esmolas ou simplesmente não têm o que comer.

TRANSGRESSÕES E PUNIÇÕES
Uma mulher que pinta as unhas pode ter os dedos decepados.
O uso considerado inadequado do véu pode resultar em espancamento ou execução.
Em todo o país, multiplicam-se imagens simbólicas de grupos de figuras idênticas, sem rosto e sem forma, cobertas da cabeça aos pés por burcas desconfortáveis.

FUNDAMENTAÇÃO DO SISTEMA DE SUBMISSÃO
O regime impõe submissão absoluta, sustentada pela interpretação rigorosa da Sharia, que reproduz um cenário medieval baseado em leituras específicas do Alcorão, escrito por Maomé no século VII.

A GRANDE IRONIA
A exclusão feminina não está nas bases do islamismo, mas nas estruturas erguidas posteriormente. O próprio Alcorão afirma que “HOMENS E MULHERES SÃO IGUAIS AOS OLHOS DE ALÁ”, exigindo fidelidade e merecimento equivalentes.

ORIGEM HISTÓRICA DA DISCRIMINAÇÃO
Ao longo da história, interpretações humanas distorceram princípios originais. Após a morte de Maomé, Aisha, uma de suas esposas, destacou-se como figura política e religiosa de grande influência. Durante décadas, ocupou papel central na transmissão dos ensinamentos islâmicos.

O SURGIMENTO DO HADITHS E DA SUNA
Os Hadiths são registros das palavras e ações atribuídas a Maomé. A compilação desses textos originou a Suna, o segundo livro sagrado do Islã. Com o tempo, surgiram milhares de registros falsificados. O historiador Al-Bukhari identificou cerca de 7.275 Hadiths autênticos e aproximadamente 600 mil inventados. Parte desses textos distorcidos serviu para justificar a suposta inferioridade feminina, inclusive com comparações ofensivas e generalizações misóginas. Aisha contestou tais deturpações e, por isso, foi marginalizada.

AMBIENTE MISÓGINO
O direito islâmico passou a ser tratado como absoluto e inquestionável. A pesquisadora Fatima Mernissi ressalta que, se a democracia alcançou sociedades judaico-cristãs, não há razão para que não seja igualmente almejada por mulheres muçulmanas.

MOBILIZAÇÃO FEMININA E REIVINDICAÇÃO DE DIREITOS
Desde a Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã se tornou uma teocracia, as mulheres sofreram forte repressão. Surgiram movimentos de resistência, destacando-se o lema “Mulheres, Vida, Liberdade”, que desafia o regime e o código de vestimenta obrigatório.

O CASO MAHSA AMINI
Em 2022, Mahsa Amini, de 22 anos, morreu sob custódia policial após ser acusada de uso inadequado do hijab. O episódio desencadeou protestos massivos.

A ADESÃO MASCULINA AOS PROTESTOS
A crise econômica agravada por sanções internacionais impulsionou a participação masculina nas manifestações, por meio de greves e atos públicos.

ESCALADA DA REPRESSÃO
Com a intensificação da inflação, do desemprego e da desvalorização da moeda, os protestos cresceram. Em janeiro de 2026, o governo interrompeu comunicações e energia, reprimiu violentamente manifestações e promoveu prisões em massa.

OS ATOS DA RESISTÊNCIA FEMININA
Queima de véus, cortes de cabelo em público e protestos simbólicos tornaram-se marcas da resistência. Organismos internacionais condenaram as execuções sumárias. Lideranças políticas internas passaram a exigir reformas democráticas e o afastamento do poder religioso da política.

CONCLUSÃO
O papel da mulher no Irã tornou-se um divisor de águas. A recusa ao véu obrigatório simboliza a resistência contra quase cinco décadas de uma ditadura segregadora, violenta e corrupta.

Professor Marcos Moraes 

 


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mais amor, menos descaso


Por Walcyr Carrasco
08.10.2008 - Revista Veja São Paulo





Alice, minha sobrinha, tem 5 anos. Recentemente descobrimos que sofre de diabetes. Foi um choque, pois é o primeiro caso da família. Meu irmão e minha cunhada amam demais a filha e seu irmão. Aprenderam os difíceis cálculos para administrar a dose correta de insulina a cada refeição. Alice é corajosa. Coopera e nem reclama das muitas espetadas diárias. Ela mora em Campinas, mas há alguns anos freqüenta com o irmão uma escola particular em Paulínia, cidade próxima. Inicialmente, a professora e a coordenadora se mostraram acessíveis. Aprenderam a administrar a insulina. E meu irmão respirou aliviado porque o diabetes é uma doença que exige disciplina no tratamento.
Há algumas semanas ele e minha cunhada foram chamados pela escola. A coordenadora sacou um parecer de um advogado segundo o qual a escola não tem obrigação de ministrar medicamentos à garota. Avisaram que não dariam mais insulina a Alice. Meu irmão caiu no choro. Mais tarde, reuniu-se com a dona do colégio, que buscou um paliativo: um funcionário que estuda enfermagem. Mas às vezes o rapaz falta!
A relação de muitas escolas com crianças doentes é complicadíssima. Beira o escândalo. Em um colégio caríssimo de Campinas uma garota quase entrou em coma com crise de hipoglicemia porque ninguém quis lhe dar uma colher de açúcar. É política do estabelecimento não tocar nos alunos. Pior ainda: outros simplesmente recusam a matrícula de crianças diabéticas. Ou tiram as que já estão lá. (Aliás, minha impressão foi que a dona da escola de minha sobrinha está pavimentando o caminho para não aceitá-la no ano que vem. Senão, por que teria permitido a entrega da carta do advogado pela coordenadora, antes de procurar uma solução menos cruel?)
Se um aluno cair com convulsões, ninguém fará nada porque a lei não obriga? Uma doença crônica pode provocar seqüelas para a vida toda. Há casos de mães que largam o emprego para cuidar dos filhos na escola. Justamente quando são necessários remédios caros a pessoa é obrigada a cortar o orçamento doméstico?
Certa vez, em uma palestra, presenciei um caso terrível em uma escola de primeira linha. Uma aluna sofrera um acidente e tornou-se paraplégica. Existiam salas de aula no térreo, mas a direção manteve sua classe no segundo andar, sem elevador. Os amigos revezavam-se para carregá-la escada acima. Até que a garota se transferiu.
Sinceramente, não me importa o que diz a lei, embora, até onde eu sei, todo o nosso código jurídico proíbe a exclusão. A atitude é chocante, ainda mais vinda de educadores. Diante da enfermidade, seria possível estimular todos os colegas a refletir sobre solidariedade. Os órgãos responsáveis pela educação deveriam olhar para esses casos. Talvez obrigar as escolas a ter ambulatórios, porque sempre haverá uma criança doente. Os pais deveriam se unir. Mas, com medo de represálias sobre os filhos, tentam botar panos quentes. Acredito no contrário. Será muito pior se minha sobrinha for vista como um problema. Talvez até receba os remédios, mas com má vontade. Ela se sentiria rejeitada, e isso afeta profundamente uma criança. Alice é guerreira. Melhor que saiba de seu problema e de seu direito a uma vida saudável. E que há gente a seu lado: os pais que a amam e eu, que sou seu tio. Sinto uma imensa dor, vontade de chorar. Não só pela Alice. Mas pelas centenas, milhares de crianças enfermas ou deficientes cujos professores e coordenadores deveriam estar oferecendo amor, e não descaso.
e-mail: walcyr@abril.com.br

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Código de ética dos índios norte-americanos

Levante com o Sol para orar.
Ore sozinho. Ore com freqüência.
O Grande Espírito o escutará, se você ao menos, falar.

Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho.
A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza,originam-se de uma alma perdida.
Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

Procure conhecer-se, por si mesmo.
Não permita que outros façam seu caminho por você.
É sua estrada, e somente sua.
Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

Trate os convidados em seu lar com muita consideração.
Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

Não tome o que não é seu.
Seja de uma pessoa, da comunidade,da natureza, ou da cultura.
Se não lhe foi dado, não é seu.

Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra.
Sejam elas pessoas, plantas ou animais.
Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas.

Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite.
Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.
Nunca fale dos outros de uma maneira má.
A energia negativa que você colocar para fora no universo,voltará multiplicada a você.

Todas as pessoas cometem erros.
E todos os erros podem ser perdoados.
Pensamentos maus causam doenças da mente,do corpo e do espírito.
Pratique o otimismo.

A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós.
Toda a natureza faz parte da nossa família terrestre.
As crianças são as sementes do nosso futuro.

Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida.
Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.

Evite machucar os corações das pessoas.
O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

Seja sincero e verdadeiro em todas as situações.
A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.

Mantenha-se equilibrado.
Seu corpo Espiritual, seu corpo Mental,seu corpo Emocional e seu corpo Físico:todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis.
Trabalhe o seu corpo Físico para fortalecer o seu corpo Mental.
Enriqueça o seu corpo Espiritual para curar o seu corpo Emocional.

Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá.
Seja responsável por suas próprias ações.

Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros.
Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas,especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido.

Comece sendo verdadeiro consigo mesmo.
Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

Respeite outras crenças religiosas.
Não force suas crenças sobre os outros.

Compartilhe sua boa fortuna com os outros.
Participe com caridade.




CONSELHO INDÍGENA INTER-TRIBAL NORTE AMERICANO.


Deste conselho participam as tribos :


Cherokee Blackfoot
http://www.darkfiber.com/blackirish/cherokeeblackfoot.html

Cherokee
http://www.cherokee.org/

Lumbee Tribe
http://www.lumbeetribe.com/index2.htm

Comanche
http://www.texasindians.com/comanche.htm

Mohawk
http://www.mohawktribe.com/

Willow Cree
http://www.aboriginalcanada.gc.ca/acp/community/site.nsf/en/rn09063.html

Plains Cree
http://www.sicc.sk.ca/heritage/sils/ourlanguages/plains/plains.html

Tuscarora
http://www.tuscaroras.com/

Sicangu Lakota Sioux
http://www.rosebudsiouxtribe-nsn.gov/

Crow (Montana)
http://www.crowtribe.com/

Northern Cheyenne (Montana) http://www.billings.k12.mt.us/literacy/mont_indian/northern_cheyenne.htm



E os homens brancos julgam-se mais civilizados e evoluídos que os índios. . .



Nações Unidas, 11/08/2008, (IPS) - A comunidade internacional agora reconhece o direito dos povos nativos de proteger suas terras e seus estilos de vida.

Mas a maioria dos 370 milhões de indígenas do mundo ainda sofre abuso e injustiça por parte do Estado e de Empresas. “Devemos observar os progressos substanciais que conseguimos, mas, também o longo caminho que nos resta”, disse à IPS Bem Powless, ativista da Rede Ambienta Indígena e membro da nação mohawk, hoje dividida nos territórios dos EUA e do Canadá. Powless e outros ativistas expressam satisfação pela aprovação da Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, votada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em setembro de 2007. Mas, dizem que não vêem razoes para acreditar que aqueles que ocuparam suas terras tenham vontade de mudar sua atitude.

Por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo, que desde 1994 é comemorado em 9 de agosto por decisão da ONU, os ativistas se mostram desconfiados, e se baseiam em sua experiência histórica. “No passado, os governos foram cúmplices de genocídios, apropriação de terras, maciça degradação ambiental e muitos outros abusos, negando aos povos indígenas seus direitos e suas liberdades fundamentais”, acrescentou Powless. Canadá e Estados Unidos figuraram entre os poucos que votaram contra a declaração de direitos dos povos indígenas aprovada pelas Nações Unidas.

O Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial, vinculado ao Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), criticou os dois governos. Este órgão é responsável por verificar as violações da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de discriminação Racial, adotada pela ONU em 1968. O Comitê cobrou do governo do Canadá “medidas administrativas ou legislativas adequadas para prevenir os atos de corporações multinacionais em territórios indígenas”. Além disso, pediu que enviasse um informe sobre o efeito da atividade dessas empresas sobre os povos indígenas em outros países.

Essa decisão foi a resposta a um pedido de organizações indígenas, que acusaram companhias privadas canadenses de exploração ilegal de suas terras em território dos Estados Unidos. A queixa se referia particularmente à situação de tribo shoshone, cujas terás se estendem pelos Estados de Idaho, Califórnia, Nevada e Utah. Essa região é atualmente a terceira produtora mundial de ouro. Muitas multinacionais operam nessas áreas e outras pretendem fazê-lo em breve. Várias dessas empresas, segundo a denúncia apresentada, estão registradas no Canadá.

Os ativistas indígenas dizem que diversas áreas onde se realiza a atividade mineira foram palco de cerimônias espirituais e culturais de suas comunidades durante milhares de anos. Além disso, reiteram que o lixo tóxico gerado pela exploração mineira causa um enorme dano à saúde e ao bem-estar de seu povo e também ao meio ambiente. Em 2006, também em resposta a uma petição dos shoshone, o Comitê criticou os Estados Unidos por violarem os direitos da comunidade, em contravenção às disposições da Convenção contra a discriminação.

Os 18 especialistas desse órgão da ONU disseram que possuíam “informação confiável” sobre estar sendo negado aos shoshone seu tradicional direito à terra, e afirmaram que o governo norte-americano deveria por fim a todas as atividades comerciais em áreas tribais, incluindo as operações mineiras. Washington reconheceu os direitos desse povo nativo em um tratado de 1863, mas em 1979 a Suprem Corte, sustentada em um erro nesse instrumento, outorgou ao governo a administração fiduciária das terras.

As autoridades norte-americanas justificaram sua posição com o argumento de que os membros da tribo haviam abandonado as formas tradicionais de posse da terra, e mencionaram o “gradual avanço” sobre as mesmas de pessoas não nativas para reclamar boa parte delas como território federal. Os shoshone responderam que o “gradual avanço” era parte de uma política norte-americana para roubar-lhes as terras e que isso constituía um ato de racismo.

Conscientes de que das relações entre as comunidades indígenas e os governos permanecem tensas em muitas partes do mundo, funcionários do secretariado da ONU procuram organizar seminários e encontros para criar um clima cordial, que permita o entendimento mútuo e a reconciliação. Essa reconciliação – dizem na ONU – pode tomar diversas formas nos diferentes países, mas, “geralmente implica o reconhecimento de injustiças passadas e justiça para as vítimas”. As Nações Unidas consideram que a adoção da declaração sobre os direitos indígenas de 2007, após mais de 210 anos de negociações entre os Estados e representantes desses povos, foi “um ato histórico de reconciliação”.

Em uma mensagem por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon , disse que essa declaração “dá a oportunidade para os Estados e os povos indígenas fortalecerem suas relações, promoverem a reconciliação e garantirem que não se repita no passado”. Porém, Powless acredita que alguns países poderosos não mudarão sua atitude em relação às comunidades nativas se não houver uma maioria de cidadãos informados que cobrem uma prestação de contas daqueles que definem as políticas públicas.

“O público deve entender os direitos e as preocupações dos povos indígenas. E tem de agir para protegê-los, porque sendo o grupo mais marginalizado do mundo mostra como será tratado o restante de nós. Também representa a forma mais segura de proteger os ecossistemas que ainda restam”, afirmou Powless. Muitos especialistas em mudança climática compartilham desse ponto de vista. Consideram que os povos indígenas podem ter um papel-chave na preservação da biodiversidade e dos recursos do planeta porque vivem em estreito contato com a natureza. (IPS/Envolverde)