terça-feira, 7 de abril de 2026

EM BUSCA DA “PAZ” VERDADEIRA

 Vivemos em um mundo de dor, farto de desventuras: ódio, guerras, ambições, assassinatos, roubos, mentiras, infanticídios, feminicídios, pedofilia, corrupção, drogas, entre outros males. Por outro lado, existem também aqueles que nadam contra essa correnteza avassaladora e buscam, freneticamente, alcançar a “paz” e o “amor” verdadeiros — não apenas rótulos.

Desculpe interrompê-lo em sua reflexão, mas não seria mais fácil que “Deus” acabasse, de uma vez por todas, com essas mazelas perniciosas existentes em nosso planeta, que asfixiam o bem, e enviasse os praticantes do mal para outro lugar?

Responderei a essa pergunta por meio de uma linguagem pedagógica. Em uma escola, quando o aluno é reprovado nos exames finais, ele ainda tem a chance da “prova de recuperação”, na qual poderá se esforçar, ser aprovado e, com isso, subir de nível.

Caso Deus fizesse o que foi sugerido acima — retirasse do nosso planeta aqueles que carregam o mal em seu coração — a Terra se tornaria “vazia”. O Senhor nos dá oportunidades de recuperação e de busca pela paz, para enfrentarmos, com coragem, aprendizado, paciência e amor, as provas que nos são impostas dia após dia.

A “SUPOSTA” PAZ

Muitos de nós ainda não conseguimos compreender o verdadeiro significado da paz. Como já vimos no início, o mundo vive graves turbulências, especialmente guerras e grandes extermínios por diversas causas. A guerra é um cenário de ódio que envolve irmãos da grande família humana em batalhas sangrentas, mortais, que geram destruição e espalham medo, pavor e insegurança por todo o planeta.

Em meio a tanta tragédia, o que mais ouvimos é o clamor: “Queremos paz”.

Países em conflito chegam a anunciar “acordos de paz” para encerrar batalhas. Porém, não se trata de paz verdadeira, mas de negociações entre partes beligerantes, mediadas por terceiros, nas quais há custos e concessões.

UM EXEMPLO:

Na guerra que envolve a Federação Russa e a Ucrânia, diversas tentativas de negociação já foram realizadas entre seus líderes, sem sucesso até o momento. Isso ocorre porque, nas negociações, há exigências que implicam perdas territoriais e soberania. Mesmo que um acordo fosse assinado nesses termos, dificilmente poderia ser chamado de “paz verdadeira”, mas sim de uma negociação desigual.

A paz verdadeira não está à venda, não é negociada, nem encontrada em prateleiras.

A PAZ VERDADEIRA

Não é uma mercadoria, mas um sentimento interior que invade o ser, trazendo harmonia, alegria, segurança e coragem. Instala-se no coração e na mente e, como algo contagioso, espalha-se para outros que também a desejam.

Segundo a epístola de Pedro, está escrito: “Busque a paz e siga-a”. Isso indica que há um caminho — não fácil — de luta, entrega e transformação.

É necessário enfrentar, com coragem e fé, as energias negativas que nos cercam. Quando se sentir abalado, utilize a orientação de Jesus: “Vigiai e orai”. É preciso também negar os instintos maldosos e cultivar pensamentos elevados. Assim, as influências negativas não encontrarão espaço, e a vida se transformará em um estado de maior equilíbrio e paz.

QUAL O CAMINHO PARA A PAZ?

Vejamos um trecho do livro Fonte Viva (Ed. FEB), psicografado por Francisco Cândido Xavier:

“Há muita gente que busca a paz; raras pessoas, porém, tentam segui-la. Companheiros existem que desejam a tranquilidade e a procuram por todos os meios, lícitos ou ilícitos, mas, quando a alcançam, a perdem por falta de caráter, dignidade, humildade e amor.”

  • Alguns pedem riquezas materiais, acreditando que o dinheiro trará paz, mas, ao possuí-lo, enfrentam novos problemas por não saber administrá-lo ou compartilhá-lo.
  • Outros desejam o casamento, mas não sabem ser companheiros, perdendo-se em conflitos e atitudes destrutivas.
  • Outros ainda almejam cargos de responsabilidade, mas, ao alcançá-los, desviam-se de seus propósitos e se envolvem em práticas indignas.

A paz não é indolência do corpo. É saúde e alegria do espírito, conquistadas pelo equilíbrio entre nossos desejos e os propósitos do Senhor.

Portanto, ao recebermos oportunidades, devemos utilizá-las para nosso crescimento moral e espiritual, praticando o perdão e o amor ao próximo.

A paz fictícia não existe. A paz verdadeira nasce da aproximação com o Mestre e de seus ensinamentos: “Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.

Sem esse esforço de transformação, teremos sempre o retorno do conflito e da inquietação interior.

O ENCONTRO COM A PAZ VERDADEIRA

Se você encontrar, neste mundo cheio de dor, a paz tão desejada, compartilhe-a com alegria, amor e trabalho, alcançando todos ao seu redor.

Se ainda não a encontrou, não permaneça inerte esperando que ela venha até você. É pelo trabalho em benefício do próximo que fortalecemos nossa energia interior e enfrentamos os desafios da vida.

Como disse Pedro: “Busque a paz, meu amigo, e siga-a”.

Professor: Marcos Moraes