sábado, 17 de janeiro de 2026

O POSSÍVEL FUTURO DA VENEZUELA

 Intervenção internacional, disputa de poder e reconfiguração geopolítica

Trump teria cumprido sua promessa de violar a soberania da Venezuela, retirar Nicolás Maduro do poder de maneira forçada e assumir o controle do petróleo venezuelano. As ações atribuídas ao presidente dos Estados Unidos, nesse cenário hipotético, seriam consideradas ilegais à luz do Direito Internacional.

A hipótese projeta impactos profundos não apenas na política interna venezuelana, mas também no equilíbrio geopolítico continental e nas relações estratégicas globais.

Como a intervenção teria ocorrido

Sem aviso prévio, Trump teria ordenado um ataque terrestre, interrompendo o sistema energético de Caracas e neutralizando os mecanismos de defesa do espaço aéreo. Essa ação teria permitido a entrada imediata das forças norte-americanas.

Maduro teria sido capturado, transferido para uma prisão em Manhattan e posteriormente processado pelos seguintes crimes:
• Liderança do grupo conhecido como “Los Soles”;
• Tráfico de cocaína para os Estados Unidos;
• Corrupção, conspiração e porte ilegal de metralhadora.

Antes do primeiro julgamento, Trump teria recuado na acusação referente ao suposto cartel, diante da inexistência de provas formais. O grupo “Los Soles” seria composto por militares de alta patente e altos funcionários públicos envolvidos em esquemas de clientelismo e enriquecimento ilícito.

O que é o grupo “Los Soles”

A denominação deriva das insígnias solares presentes nos uniformes de generais. Embora não seja classificado como organização terrorista, o grupo é associado à corrupção sistêmica dentro do aparato estatal.

O primeiro julgamento

A primeira audiência teria ocorrido em 5 de janeiro de 2026, em Nova York. Maduro declarou-se inocente, afirmando ter sido sequestrado enquanto exercia a presidência. Trata-se de etapa formal do sistema jurídico norte-americano, sem efeito decisório.

A audiência seguinte, responsável por avaliar o mérito do processo, estaria prevista para março, com duração estimada de até um ano. Em caso de condenação, a pena poderia ser prisão perpétua.

A estratégia de defesa

Os advogados sustentariam dois eixos principais:
• Fragilidade da acusação inicial, que pode comprometer o conjunto do processo;
• Violação do princípio da imunidade soberana, uma vez que Maduro seria chefe de Estado em exercício.

Esses elementos podem gerar nulidade processual ou redução significativa da legitimidade jurídica do julgamento.

A Venezuela após a saída de Maduro

Com a retirada de Maduro, Delcy Rodríguez assumiria interinamente a presidência. De perfil ideológico alinhado ao chavismo, declarou fidelidade ao sistema bolivariano e classificou a intervenção como “barbárie”.

Trump teria mantido o bloqueio naval, o controle da PDVSA e exigido alinhamento político do governo interino aos interesses norte-americanos.

Mudança de discurso e tensão interna

Apesar da continuidade do regime, a repressão teria se intensificado, ampliando perseguições, prisões e deslocamentos forçados. O fluxo de refugiados aumentaria nos países vizinhos.

Em seguida, Delcy Rodríguez teria adotado discurso conciliador, propondo cooperação bilateral dentro do marco do Direito Internacional. A mudança dividiu setores do regime e da oposição.

As correntes em disputa

Ala bolivariana
Defende a manutenção integral do projeto bolivariano e rejeita qualquer interferência estrangeira.

Ala oposicionista
Enxerga na cooperação internacional uma oportunidade de reconstrução democrática, desde que preservada a soberania nacional.

A posição de Trump

Em pronunciamentos públicos, Trump teria afirmado exercer controle direto sobre a governança venezuelana, condicionando a permanência do governo interino à obediência política. Sinalizou possibilidade de nova intervenção.

Possíveis lideranças na transição

Maria Corina Machado
Líder da oposição, residente no exílio e recentemente premiada internacionalmente. Prometeu retornar ao país e criticou a repressão interna, mas teria sido excluída das negociações.

Edmundo González
Vencedor da última eleição, impedido de assumir e posteriormente deportado. Não integra o processo de transição.

O plano norte-americano para a Venezuela

Segundo o secretário de Estado Marco Rubio, o plano estaria estruturado em três fases:

Fase 1 — Estabilização
Compra de petróleo sancionado para gerar liquidez, controle político do governo interino e manutenção do bloqueio naval.

Fase 2 — Recuperação
Abertura do mercado ao capital internacional, anistia política, retorno de exilados e reconstrução institucional.

Fase 3 — Transformação
Implantação gradual de um modelo político e econômico alinhado ao padrão norte-americano.

Considerações finais

A consolidação dessa estratégia ampliaria a presença geopolítica dos Estados Unidos no continente e aprofundaria tensões com a China. Permanecem abertas questões sobre os próximos focos estratégicos da política externa norte-americana.

Autoria
Professor Marcos Moraes