Intervenção internacional, disputa de poder e reconfiguração geopolítica
Trump teria cumprido sua promessa de violar a
soberania da Venezuela, retirar Nicolás Maduro do poder de maneira forçada e
assumir o controle do petróleo venezuelano. As ações atribuídas ao presidente
dos Estados Unidos, nesse cenário hipotético, seriam consideradas ilegais à luz
do Direito Internacional.
A hipótese projeta impactos profundos não apenas
na política interna venezuelana, mas também no equilíbrio geopolítico
continental e nas relações estratégicas globais.
Como a intervenção teria ocorrido
Sem aviso prévio, Trump teria ordenado um
ataque terrestre, interrompendo o sistema energético de Caracas e neutralizando
os mecanismos de defesa do espaço aéreo. Essa ação teria permitido a entrada
imediata das forças norte-americanas.
Maduro teria sido capturado, transferido para
uma prisão em Manhattan e posteriormente processado pelos seguintes crimes:
• Liderança do grupo conhecido como “Los Soles”;
• Tráfico de cocaína para os Estados Unidos;
• Corrupção, conspiração e porte ilegal de metralhadora.
Antes do primeiro julgamento, Trump teria
recuado na acusação referente ao suposto cartel, diante da inexistência de
provas formais. O grupo “Los Soles” seria composto por militares de alta
patente e altos funcionários públicos envolvidos em esquemas de clientelismo e
enriquecimento ilícito.
O que é o grupo “Los Soles”
A denominação deriva das insígnias solares
presentes nos uniformes de generais. Embora não seja classificado como
organização terrorista, o grupo é associado à corrupção sistêmica dentro do
aparato estatal.
O primeiro julgamento
A primeira audiência teria ocorrido em 5 de
janeiro de 2026, em Nova York. Maduro declarou-se inocente, afirmando ter sido
sequestrado enquanto exercia a presidência. Trata-se de etapa formal do sistema
jurídico norte-americano, sem efeito decisório.
A audiência seguinte, responsável por avaliar
o mérito do processo, estaria prevista para março, com duração estimada de até
um ano. Em caso de condenação, a pena poderia ser prisão perpétua.
A estratégia de defesa
Os advogados sustentariam dois eixos
principais:
• Fragilidade da acusação inicial, que pode comprometer o conjunto do processo;
• Violação do princípio da imunidade soberana, uma vez que Maduro seria chefe
de Estado em exercício.
Esses elementos podem gerar nulidade processual
ou redução significativa da legitimidade jurídica do julgamento.
A Venezuela após a saída de Maduro
Com a retirada de Maduro, Delcy Rodríguez
assumiria interinamente a presidência. De perfil ideológico alinhado ao
chavismo, declarou fidelidade ao sistema bolivariano e classificou a
intervenção como “barbárie”.
Trump teria mantido o bloqueio naval, o
controle da PDVSA e exigido alinhamento político do governo interino aos
interesses norte-americanos.
Mudança de discurso e tensão interna
Apesar da continuidade do regime, a repressão
teria se intensificado, ampliando perseguições, prisões e deslocamentos
forçados. O fluxo de refugiados aumentaria nos países vizinhos.
Em seguida, Delcy Rodríguez teria adotado
discurso conciliador, propondo cooperação bilateral dentro do marco do Direito
Internacional. A mudança dividiu setores do regime e da oposição.
As correntes em disputa
Ala bolivariana
Defende a manutenção integral do projeto bolivariano e rejeita qualquer
interferência estrangeira.
Ala oposicionista
Enxerga na cooperação internacional uma oportunidade de reconstrução
democrática, desde que preservada a soberania nacional.
A posição de Trump
Em pronunciamentos públicos, Trump teria
afirmado exercer controle direto sobre a governança venezuelana, condicionando
a permanência do governo interino à obediência política. Sinalizou
possibilidade de nova intervenção.
Possíveis lideranças na transição
Maria Corina Machado
Líder da oposição, residente no exílio e recentemente premiada
internacionalmente. Prometeu retornar ao país e criticou a repressão interna,
mas teria sido excluída das negociações.
Edmundo González
Vencedor da última eleição, impedido de assumir e posteriormente deportado. Não
integra o processo de transição.
O plano norte-americano para a Venezuela
Segundo o secretário de Estado Marco Rubio, o
plano estaria estruturado em três fases:
Fase 1 — Estabilização
Compra de petróleo sancionado para gerar liquidez, controle político do governo
interino e manutenção do bloqueio naval.
Fase 2 — Recuperação
Abertura do mercado ao capital internacional, anistia política, retorno de
exilados e reconstrução institucional.
Fase 3 — Transformação
Implantação gradual de um modelo político e econômico alinhado ao padrão
norte-americano.
Considerações finais
A consolidação dessa estratégia ampliaria a
presença geopolítica dos Estados Unidos no continente e aprofundaria tensões
com a China. Permanecem abertas questões sobre os próximos focos estratégicos
da política externa norte-americana.
Autoria
Professor Marcos Moraes