APRESENTAÇÃO:
A Groenlândia é a maior ilha do mundo (2,16 milhões de km²). Seu status é o de
território semiautônomo da Dinamarca.
GOVERNANÇA:
Monarquia parlamentarista, em que o chefe de Estado é o rei da Dinamarca e o
chefe de governo é o primeiro-ministro groenlandês, eleito pelo parlamento, com
mandato de quatro anos. A ilha está situada na América do Norte, próxima da
costa leste do Canadá, banhada por dois oceanos: Glacial Ártico (ao norte) e
Atlântico Norte (ao sul). Possui posição estratégica entre a América do Norte e
a Eurásia, sendo rota de navios cargueiros da Rússia, China, Bloco Europeu,
EUA, Canadá etc.
CLIMA:
Muito severo devido à sua posição geográfica, a 66º33’ de latitude norte, o que
torna suas temperaturas muito baixas. Durante o inverno, pode chegar a –34 ºC.
RELEVO:
Predomínio de terrenos planos, cobertos por espessas e profundas camadas de
gelo (permafrost). A calota polar da Groenlândia representa cerca de 80% do
território. Seu litoral é rochoso, formado por fiordes (vales profundos cavados
pela erosão do gelo). Mais recentemente, segundo dados do IPCC, a ilha já
perdeu 5.091 km² de sua capa congelada, em função do efeito estufa global
(dados obtidos entre 1985 e 2022).
VEGETAÇÃO:
Em função do clima e do solo, a vegetação é pobre e rala, representada pela
tundra (vegetação de pequeno porte, como musgos e líquens). Já se pode ter a
ideia de um cenário “a ecúmeno”, inóspito para a vida humana.
COMO ESSA REGIÃO FOI OCUPADA?
Segundo registros arqueológicos, sua ocupação teve início há cerca de 4.500
anos, com a chegada dos Thules, ancestrais dos inuítes (esquimós), provenientes
do Alasca e do noroeste do Canadá. Em seguida, os Thules cederam lugar aos
inuítes, oriundos da mesma região. Os esquimós mais evoluídos desenvolveram
várias técnicas para conquistar o território e sobreviver ao rigor climático,
entre elas: construção de iglus; caça do urso-polar e de outros animais,
aproveitando a carne como alimento, a pele para confecção de roupas e a
comercialização do excedente, além do marfim retirado das morsas. Na pesca, o
grande destaque era a baleia, da qual tudo se aproveitava. Atualmente, a
população da Groenlândia é de aproximadamente 57 mil habitantes, sendo que a
maioria descende dos inuítes, concentrados principalmente na capital, Nuuk.
No ano de 982, o viking Erik, o Vermelho, chegou à ilha e
fundou, ao sul, colônias escandinavas. Os assentamentos foram realizados por
meio da construção de granjas e da criação de ovinos e renas, comercializados
com a Europa. Porém, no século XV, com a pequena “Idade do Gelo”, os vikings
desapareceram.
Em 1721, a Dinamarca iniciou a colonização formal da ilha,
motivada pelo comércio e pelas organizações religiosas. Desde então, a
Groenlândia passou a fazer parte do Reino da Dinamarca.
A GROENLÂNDIA JÁ PERTENCEU AOS EUA:
Isso ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler invadiu a
Dinamarca. Diante desse episódio, a Groenlândia separou-se da Europa e ficou
sob tutela dos EUA, que construíram na ilha várias bases militares, portos e
aeroportos. Logo após a guerra, o controle retornou aos dinamarqueses, que
passaram a administrar a economia do território e a subsidiá-lo, com ajudas que
chegam até 500 milhões de dólares (dados de 2017). Em 1979, a Groenlândia
ganhou autonomia interna, enquanto a Dinamarca mantém a política externa e a
defesa.
ECONOMIA ATUAL DA ILHA:
PIB: 2,2 bilhões de dólares, de acordo com o FMI.
Exportações: minerais (carvão, ferro, chumbo, zinco e petróleo), com exploração
favorecida pelo recuo das camadas de gelo.
Atividades: criação de animais (ovelhas, gado, renas etc.).
Indústrias: predomínio da indústria de construção, alimentos e outras.
Turismo: atividade em crescimento, em função das belezas naturais, como auroras
boreais, presença de urso-polar, baleias e paisagens geladas.
Apesar dessas atividades, a Groenlândia é altamente dependente
da pesca, favorecida por fatores naturais, como a presença de zonas de
convergência em seu litoral, resultantes do encontro da Corrente do Golfo
(quente) com a Corrente do Labrador (fria), o que propicia grande concentração
de plâncton e atrai cardumes. Entretanto, nem tudo é um “mar de rosas”.
Atualmente, a Groenlândia sofre pressões dos EUA, cujo desejo é anexá-la.
AS AMEAÇAS ATUAIS SOFRIDAS PELA GROENLÂNDIA:
A Casa Branca anunciou, em 6 de janeiro de 2026, que Donald Trump analisa
vários caminhos para anexar a Groenlândia, por meio da compra ou pela
utilização da força.
QUAL O REAL INTERESSE DE TRUMP PELA ILHA?
Estrategicamente, a ilha está situada em uma das principais rotas entre o oeste
e o leste de Greenwich, funcionando como ponte marítima entre a América do Norte
e a Eurásia, por onde transitam milhares de navios petroleiros, cargueiros e de
passageiros. O objetivo seria expandir a zona de influência dos EUA e reforçar
sua segurança. Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, afirmou
que a Groenlândia pertence aos EUA por direito e que o país poderia tomá-la se
quisesse.
A DEFESA:
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, declarou que a anexação
forçada da Groenlândia pelos EUA equivaleria ao fim da OTAN. Governos da
Dinamarca e da Groenlândia solicitaram reunião com o secretário de Estado,
Marco Rubio, rejeitando veementemente a proposta. Pesquisas indicam que a
maioria da população groenlandesa se opõe ao plano. Em 15 de janeiro, tropas
europeias chegaram à Groenlândia em demonstração de apoio à Dinamarca e de
oposição às ameaças. Trump declarou que países contrários à compra sofreriam
elevação de tarifas.
A CRÍTICA DE PUTIN:
O Kremlin criticou o envio de tropas, classificando-o como parte de uma
militarização acelerada no Ártico, alegando que a ilha estaria sendo usada como
pretexto contra Moscou e Pequim. Trump, por sua vez, afirmou que os EUA são a
maior potência militar do planeta.
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PROFESSOR MARCOS MORAES