quinta-feira, 3 de julho de 2025

E AGORA IRÃ?

 

Antes de começarmos a escrever sobre a Guerra envolvendo Irã  e Israel, convém conhecer, ainda que de forma resumida, um pouco da História do Irã (antiga Pérsia).



https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d7/Iran_nuclear_program_map-en.png/330px-Iran_nuclear_program_map-en.png

Observe o mapa acima e verifique como o Irã está cercado de vizinhos que  em sua maioria são ditaduras turbulentas, violentas contra o próprio povo e nada amistosas. Ao norte do mar Cáspio, embora não apareça no mapa está a Rússia.

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA DO PAÍS

Situado ao Norte do Oriente Médio, banhado ao Sul pelo Golfo Pérsico e estreito de Ormuz (única saída marítima de navios petroleiros do Oriente Médio, controlado pelo Irã) . Seu território é dominado por elevadas montanhas (sujeitas a abalos sísmicos) e por altiplanos. Seu clima é predominantemente seco . Porém no Oriente Médio é o segundo maior produtor de petróleo, só perde par a Arábia Saudita

POPULAÇÃO- gira em torno de 80 milhões de habitantes, a maioria de etnia Persa , a religião predominante é muçulmana que, subdivide-se em xiitas (radicais) maioria,  e sunitas (moderados) minoria.

POLÍTICA- Mudou a partir de 1.921 quando o general sunita Reza Shash Pahlevi promoveu um Golpe de Estado e assumiu o poder, fazendo alianças com a elite sunita. Pós 2ª Guerra Reza Shash abdica do trono em favor de seu filho Mohammad Reza Pahlevi (também sunita), que ao tomar posse, adota o título de Xá (realeza ) e faz alianças com o Ocidente, principalmente EUA e R.U. Foi nesse período que os EUA enviou para o Irã os primeiros equipamentos nucleares para a  construção de uma Usina.

PAHLEVI  PROMOVEU NO IRÃ A REVOLUÇÃO BRANCA

Trata-se de mudanças radicais promovidas no Irã, como acabar com a Sharia (leis islâmicas) que até então regiam o governo e adotar o modelo ocidental, ( nos costumes, na política, na economia, no modo de se vestir, liberdade para as mulheres etc.). Para população xiita, tudo isso significou uma afronta a Alá, pois os costumes ocidentais são considerados pecados. Esse novo cenário não só desagradou como aguçou revoltas dos radicais contra o Xá, os protestos eram constantes, porém violentamente combatidos pelo exército nacional.

O PROJETO NUCLEAR- ESTE É O NÓ NÓRDICO E NOSSA HISTÓRIA

Em 1.970 entrou em vigor o “TRATADO DE NÃO PROLIFERAÇÃO  DE ARMAS NUCLEAR’, cujo objetivo seria evitar que mais países participassem da corrida nuclear e construíssem a “bomba atômica”. O tratado só permitia utilizar o projeto nuclear para “Fins Pacíficos” (energia elétrica) em outras palavras, só era permitido enriquecer urânio em até 20%. O Irã foi um dos signatários do tratado , portanto ficou sujeito a fiscalização anual da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) . Em 1.978, a crise econômica, a corrupção e as reformas ocidentais aceleradas, tonaram-se no principal combustível para acelerar a insatisfação dos radicais, que se uniram sob a liderança do aiatolá Khomeini (até  então exilado na França), de onde orientava a elite xiita para tomar o poder . O governo do Xá não conseguiu controlar a insurreição e,  Janeiro de 1.979, Reza Pahlevi, abandonou seu posto, e refugiou-se com a família para os EUA. Khomeini  retornou ao Irã, em meio a grandes festejos, esse momento foi denominado “Revolução Islâmica”,  que levou ao poder o aiatolá Khomenei , que passou a acumular todos os cargos de um ditador ( líder religioso, líder político, líder militar supremo) . Seu primeiro ato foi acabar com os costumes ocidentais e transformar o Irã em um “Estado Teocrático”, regido pela Sharia (leis islâmicas)retirando todos os direitos das mulheres. Em segundo lugar rompeu relações com Israel e EUA, declarando-os como seus principais inimigos e que deveriam ser aniquilados. Em 1.980 o Irã se envolve em guerra contra o Iraque, essa guerra durou 8 anos, e não houve vencedor,  só terminou com a intervenção da ONU.

Logo em seguida Khomeini morre e, é substituído pelo aiatolá Kamanei que continua até hoje no poder . Em 2.001, logo após o ataque terrorista nos EUA, Bush prepara um documento (Doutrina Bush), que apontava 3 países como integrantes do “Eixo do Mal” (Iraque, Irã e Coreia do Norte) e que deveriam ser destruídos , por serem países que financiavam o terrorismo e construíam armas de destruição  em massa. Diante dessa ameaça, em 2.005, o Irã, retomou seu programa nuclear enriquecendo urânio acima de 20%, e ainda ameaçou de “Varrer Israel” do mapa . No mesmo ano o Irã foi acusado de patrocinar, financiar, e enviar armas aos grupos terroristas: Hamas (Faixa de Gaza), Hezbollah (sul do Líbano) e mais tarde Iemenitas Houtis (todos muçulmanos xiitas). A acusação, era verdadeira, o Irã de fato , terceirizou e ordenou essas três frentes paramilitares, para, entrar em confronto direto contra Israel.

SANÇÕES DA ONU CONTRA O IRÃ

A ONU  exigiu que o Irã parasse de enriquecer urânio e autorizasse a entrada de agentes da AIEA, para inspecionar seu projeto nuclear. O Irã se negou a abrir as portas do seu país para os agentes . A ONU então penalizou o Irã om 4 sanções que envolvia o congelamento dos depósitos iranianos em Bancos Internacionais e embargos na produção e exportação de petróleo . As sanções quebraram o Irã sob o ponto de vista econômico . Em Julho de 2.013, surge uma luz no fim do túnel. Os cinco membros do Conselho de Segurança, mais a Alemanha, que  sugeriram ao Irã assinar um Acordo Nuclear, que previa ao Irã acabar com seu estoque de urânio e congelasse o  programa nuclear por 30 anos; em troca liberariam as sanções em parcelas. O acordo entrou em vigor em 2.014. A primeira parcela foi liberada e o Irã sentiu-se mais confortável  sob o ponto de vista econômico. Porém em 2.018, Donald Trump saiu do acordo, alegando que o mesmo era insuficiente e que o Irã voltaria a enriquecer urânio a qualquer momento, o acordo acabou ,as sanções voltaram. Tudo voltou à estaca zero, Irã voltou a enriquecer urânio acima do limite e os agentes da AIEA foram impedidos de visitar as instalações. Porém dentro do Irã, havia agentes infiltrados que descobriram recentemente que o, Irã, já estava a um passo de conseguir 90% de enriquecimento de urânio, o necessário para produzir armas nucleares , citando as principais estruturas de enriquecimento e onde as mesmas se encontravam (Natanz, Isfahan, e Fordow) esta última considerada, ultra secreta e de difícil acesso, por estar encravada em uma montanha, a 90 metros de profundidade.

PORQUE ISRAEL ATACOU O IRÃ ?

Apesar de ser um sonho antigo de Israel e EUA, o Irã tornou-se um grande perigo e o primeiro alvo seria Isael . As ameaças entre os dois países eram constantes . E Israel estava massacrando aliados do Irã (Hamas, Hezbollah principalmente) , isso deixou o Irã mais irritado e toda opinião pública tinha certeza que o Irã entraria diretamente nesta guerra para proteger seus parceiros na luta. Mas, o Irã não o fez . Para Israel esse seria o momento certo de atacar o Irã caso não quisesse ser atacado primeiro. Diante disso, e sem nenhum aviso prévio, no dia 12 de Junho de 2.025 de maneira surpreendente as Forças de Defesa de Israel  atingiram vários alvos militares e as fábricas de Urânio de Natanz e Isfahan , mas não conseguiram atacar Fordow. Os militares israelenses declaram que o objetivo dos ataques era impedir o avanço do programa nuclear do adversário. Para atacar Fordow a 90 metros de profundidade só os EUA.

EUA ENTRAM DIRETAMENTE NA GUERRA

EUA é o único país do mundo dotado de um dispositivo capaz de perfurar o solo até 60 metros, e como principal aliado de Israel, poderia ou não entrar nessa guerra. Segundo as declarações de Trump no de 19 de Junho, é que daria uma resposta se entraria ou não nessa guerra em “duas semanas”. Porém não foi o que ocorreu , sua declaração mais uma vez não passou de “bravata” ou uma “cortina de fumaça”. Não respeitou o prazo estipulado por ele mesmo e atacou o Irã, no dia 21 de Junho. Sem nenhum aviso e de maneira surpreendente deu ordem para a decolagem do avião B2- Spirit, que transportava a superbomba G.B.U.-57, com 13,5 ton.

Para atingir Fordow até então considerada inacessível.

O EFEITO DA SUPER BOMBA

Quando liberada pela aeronave atinge o solo e o perfura até 60 metros de profundidade, logo em seguida explode de forma maciça, até o alvo desejado, no caso Fordow.

E AGORA?

Em primeiro lugar não se sabe a dimensão dos estragos. O Irã não permitiu vistorias no local, onde pode até ocorrer vazamento de radioatividade.

Em segundo lugar o Irã ameaçou fechar o estreito de Ormuz, em outras palavras,  fechar a entrada e saída de navios petroleiros de todo o Oriente Médio, o que poderia provocar uma hecatombe na economia mundial

Em terceiro lugar o Irã está destruído e quebrado financeiramente. Quando a guerra começou o Orçamento militar do Irã era de 8 bilhões de dólares e o de Israel 34 bilhões de dólares, mais a ajuda dos EUA.

Em quarto lugar existe por parte dos líderes mundiais e alguns grupos iranianos de acabar com o regime opressor dos aiatolás , que já dura 46 anos.

Em meio a tantas incertezas. Por um lado, Trump declara que, os três complexos nucleares iranianos, foram totalmente destruídos e que o perigo acabou. Por outro lado, Kamenei declara, que a houve sim uma avaria, porém não atingiu a infraestrutura que será imediatamente reconstruída.

UMA BRECHA PARA A PAZ

No dia 3 de Junho, o presidente dos EUA anunciou que houve um acordo de “cessar fogo completo e total”, entre as duas partes. Sem dúvida um grande passo para paz e para o fim das mortes, do medo e da aflição. Porém acredito que seja apenas uma pausa, para tomar um folego, pois a paz entre estes dos inimigos ferrenhos está longe de acontecer.

PROF. MARCOS A. MORAES  

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