Antes de começarmos a escrever sobre a Guerra envolvendo Irã e Israel, convém conhecer, ainda que de forma resumida, um pouco da História do Irã (antiga Pérsia).
Observe o mapa acima e verifique como o Irã está cercado de
vizinhos que em sua maioria são
ditaduras turbulentas, violentas contra o próprio povo e nada amistosas. Ao
norte do mar Cáspio, embora não apareça no mapa está a Rússia.
SITUAÇÃO GEOGRÁFICA DO PAÍS
Situado ao Norte do Oriente Médio, banhado ao Sul pelo Golfo
Pérsico e estreito de Ormuz (única saída marítima de navios petroleiros do
Oriente Médio, controlado pelo Irã) . Seu território é dominado por elevadas
montanhas (sujeitas a abalos sísmicos) e por altiplanos. Seu clima é
predominantemente seco . Porém no Oriente Médio é o segundo maior produtor de
petróleo, só perde par a Arábia Saudita
POPULAÇÃO- gira em torno de 80 milhões de habitantes, a
maioria de etnia Persa , a religião predominante é muçulmana que, subdivide-se
em xiitas (radicais) maioria, e sunitas (moderados) minoria.
POLÍTICA- Mudou a partir de 1.921 quando o general sunita Reza Shash Pahlevi promoveu um Golpe
de Estado e assumiu o poder, fazendo alianças com a elite sunita. Pós 2ª Guerra
Reza Shash abdica do trono em favor de seu filho Mohammad Reza Pahlevi (também
sunita), que ao tomar posse, adota o título de Xá (realeza ) e faz alianças com
o Ocidente, principalmente EUA e R.U. Foi nesse período que os EUA enviou para
o Irã os primeiros equipamentos nucleares para a construção de uma Usina.
PAHLEVI PROMOVEU NO
IRÃ A REVOLUÇÃO BRANCA
Trata-se de mudanças radicais promovidas no Irã, como acabar
com a Sharia (leis islâmicas) que até então regiam o governo e adotar o modelo
ocidental, ( nos costumes, na política, na economia, no modo de se vestir,
liberdade para as mulheres etc.). Para população xiita, tudo isso significou uma
afronta a Alá, pois os costumes ocidentais são considerados pecados. Esse novo
cenário não só desagradou como aguçou revoltas dos radicais contra o Xá, os
protestos eram constantes, porém violentamente combatidos pelo exército
nacional.
O PROJETO NUCLEAR- ESTE É O NÓ NÓRDICO E NOSSA HISTÓRIA
Em 1.970 entrou em vigor o “TRATADO DE NÃO PROLIFERAÇÃO DE ARMAS NUCLEAR’, cujo objetivo seria evitar
que mais países participassem da corrida nuclear e construíssem a “bomba
atômica”. O tratado só permitia utilizar o projeto nuclear para “Fins
Pacíficos” (energia elétrica) em outras palavras, só era permitido enriquecer
urânio em até 20%. O Irã foi um dos signatários do tratado , portanto ficou
sujeito a fiscalização anual da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)
. Em 1.978, a crise econômica, a corrupção e as reformas ocidentais aceleradas,
tonaram-se no principal combustível para acelerar a insatisfação dos radicais,
que se uniram sob a liderança do aiatolá Khomeini (até então exilado na França), de onde orientava a
elite xiita para tomar o poder . O governo do Xá não conseguiu controlar a
insurreição e, Janeiro de 1.979, Reza
Pahlevi, abandonou seu posto, e refugiou-se com a família para os EUA.
Khomeini retornou ao Irã, em meio a
grandes festejos, esse momento foi denominado “Revolução Islâmica”, que levou ao poder o aiatolá Khomenei , que
passou a acumular todos os cargos de um ditador ( líder religioso, líder
político, líder militar supremo) . Seu primeiro ato foi acabar com os costumes
ocidentais e transformar o Irã em um “Estado Teocrático”, regido pela Sharia
(leis islâmicas)retirando todos os direitos das mulheres. Em segundo lugar rompeu relações com Israel e EUA, declarando-os
como seus principais inimigos e que deveriam ser aniquilados. Em 1.980 o Irã se
envolve em guerra contra o Iraque, essa guerra durou 8 anos, e não houve
vencedor, só terminou com a intervenção
da ONU.
Logo em seguida Khomeini morre e, é substituído pelo aiatolá
Kamanei que continua até hoje no poder . Em 2.001, logo após o ataque
terrorista nos EUA, Bush prepara um documento (Doutrina Bush), que apontava 3
países como integrantes do “Eixo do Mal” (Iraque, Irã e Coreia do Norte) e que
deveriam ser destruídos , por serem países que financiavam o terrorismo e
construíam armas de destruição em massa.
Diante dessa ameaça, em 2.005, o Irã, retomou seu programa nuclear enriquecendo
urânio acima de 20%, e ainda ameaçou de “Varrer Israel” do mapa . No mesmo ano
o Irã foi acusado de patrocinar, financiar, e enviar armas aos grupos
terroristas: Hamas (Faixa de Gaza), Hezbollah (sul do Líbano) e mais tarde
Iemenitas Houtis (todos muçulmanos xiitas). A acusação, era verdadeira, o Irã de fato , terceirizou e ordenou essas três frentes paramilitares, para, entrar em
confronto direto contra Israel.
SANÇÕES DA ONU CONTRA O IRÃ
A ONU exigiu que o Irã
parasse de enriquecer urânio e autorizasse a entrada de agentes da AIEA, para
inspecionar seu projeto nuclear. O Irã se negou a abrir as portas do seu país
para os agentes . A ONU então penalizou o Irã om 4 sanções que envolvia o
congelamento dos depósitos iranianos em Bancos Internacionais e embargos na
produção e exportação de petróleo . As sanções quebraram o Irã sob o ponto de
vista econômico . Em Julho de 2.013, surge uma luz no fim do túnel. Os cinco
membros do Conselho de Segurança, mais a Alemanha, que sugeriram ao Irã assinar um Acordo Nuclear,
que previa ao Irã acabar com seu estoque de urânio e congelasse o programa nuclear por 30 anos; em troca
liberariam as sanções em parcelas. O acordo entrou em vigor em 2.014. A
primeira parcela foi liberada e o Irã sentiu-se mais confortável sob o ponto de vista econômico. Porém em
2.018, Donald Trump saiu do acordo, alegando que o mesmo era insuficiente e que
o Irã voltaria a enriquecer urânio a qualquer momento, o acordo acabou ,as sanções voltaram.
Tudo voltou à estaca zero, Irã voltou a enriquecer urânio acima do limite e os
agentes da AIEA foram impedidos de visitar as instalações. Porém dentro do Irã,
havia agentes infiltrados que descobriram recentemente que o, Irã, já estava a um
passo de conseguir 90% de enriquecimento de urânio, o necessário para produzir
armas nucleares , citando as principais estruturas de enriquecimento e onde as
mesmas se encontravam (Natanz, Isfahan, e Fordow) esta última considerada,
ultra secreta e de difícil acesso, por estar encravada em uma montanha, a 90
metros de profundidade.
PORQUE ISRAEL ATACOU O IRÃ ?
Apesar de ser um sonho antigo de Israel e EUA, o Irã
tornou-se um grande perigo e o primeiro alvo seria Isael . As ameaças entre os
dois países eram constantes . E Israel estava massacrando aliados do Irã
(Hamas, Hezbollah principalmente) , isso deixou o Irã mais irritado e toda
opinião pública tinha certeza que o Irã entraria diretamente nesta guerra para
proteger seus parceiros na luta. Mas, o Irã não o fez . Para Israel esse seria
o momento certo de atacar o Irã caso não quisesse ser atacado primeiro. Diante
disso, e sem nenhum aviso prévio, no dia 12 de Junho de 2.025 de maneira
surpreendente as Forças de Defesa de Israel
atingiram vários alvos militares e as fábricas de Urânio de Natanz e
Isfahan , mas não conseguiram atacar Fordow. Os militares israelenses declaram
que o objetivo dos ataques era impedir o avanço do programa nuclear do adversário.
Para atacar Fordow a 90 metros de profundidade só os EUA.
EUA ENTRAM DIRETAMENTE NA GUERRA
EUA é o único país do mundo dotado de um dispositivo capaz de
perfurar o solo até 60 metros, e como principal aliado de Israel, poderia ou
não entrar nessa guerra. Segundo as declarações de Trump no de 19 de Junho, é que daria uma resposta se entraria ou não nessa guerra em “duas semanas”. Porém
não foi o que ocorreu , sua declaração mais uma vez não passou de “bravata” ou
uma “cortina de fumaça”. Não respeitou o prazo estipulado por ele mesmo e
atacou o Irã, no dia 21 de Junho. Sem nenhum aviso e de maneira surpreendente
deu ordem para a decolagem do avião B2- Spirit, que transportava a superbomba
G.B.U.-57, com 13,5 ton.
Para atingir Fordow até então considerada inacessível.
O EFEITO DA SUPER BOMBA
Quando liberada pela aeronave atinge o solo e o perfura até
60 metros de profundidade, logo em seguida explode de forma maciça, até o alvo
desejado, no caso Fordow.
E AGORA?
Em primeiro lugar não se sabe a dimensão dos estragos. O Irã não permitiu vistorias no local, onde pode até ocorrer vazamento de
radioatividade.
Em segundo lugar o Irã ameaçou fechar o estreito de Ormuz, em outras palavras, fechar a entrada e saída de navios petroleiros de todo o Oriente Médio, o que poderia provocar uma
hecatombe na economia mundial
Em terceiro lugar o Irã está destruído e quebrado
financeiramente. Quando a guerra começou o Orçamento militar do Irã era de 8
bilhões de dólares e o de Israel 34 bilhões de dólares, mais a ajuda dos EUA.
Em quarto lugar existe por parte dos líderes mundiais e
alguns grupos iranianos de acabar com o regime opressor dos aiatolás , que já
dura 46 anos.
Em meio a tantas incertezas. Por um lado, Trump declara que,
os três complexos nucleares iranianos, foram totalmente destruídos e que o
perigo acabou. Por outro lado, Kamenei declara, que a houve sim uma avaria,
porém não atingiu a infraestrutura que será imediatamente reconstruída.
UMA BRECHA PARA A PAZ
No dia 3 de Junho, o presidente dos EUA anunciou que houve um
acordo de “cessar fogo completo e total”, entre as duas partes. Sem dúvida um
grande passo para paz e para o fim das mortes, do medo e da aflição. Porém
acredito que seja apenas uma pausa, para tomar um folego, pois a paz entre estes dos
inimigos ferrenhos está longe de acontecer.
PROF. MARCOS A. MORAES
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