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sábado, 1 de novembro de 2008

VESTIBULANDOS : DICAS PARA O FINAL DE SEMANA

Pessoaaaaaall!!! Dia! Dia!Dia!
A dica é que aproveitem para ler:
O POÇO DO VISCONDE




LOBATO, José Bento Monteiro, O Poço do Visconde,
Edição Centenário: 1882-1982 v.1.
São Paulo: Editora Brasiliense, 1982







"Ao receber o jornal, Pedrinho sentou-se com os pés em cima da grade. Narizinho, que estava virando a máquina de costura de Dona Benta, disse:


-Vovó, eu acho uma grande falta de educação essa mania que o Pedrinho pegou dos americanos de sentar-se com os pés na cara da gente. Olhe o jeito dele...


Dona Benta suspendeu os óculos para a testa e olhou:


- Certos sábios afirmam minha filha, que quando uma pessoa se senta com as extremidades niveladas, a circulação do sangue agradece e a cabeça pensa melhor. É por esse motivo que os homens de negócios da América costumam nivelar as extremidades, sempre que têm que resolver um assunto importante. A coisa fica mais bem resolvida – dizem eles.


- E é verdade?


- Os negócios de lá prosperam melhor que os de qualquer outro país; se o tal nivelamento dos pés com a cabeça contribui para isso, não sei. É problema para os fisiologistas resolverem.
...


Mas, como íamos contando, naquele dia Pedrinho começou a ler o jornal à moda americana, com os pés para cima da grade. Em certo momento interrompeu a leitura para dizer em voz alta falando consigo:


- Bolas, todos os dias os jornais falam em petróleo e nada do petróleo aparecer. Estou vendo que nós aqui no sítio não resolveremos o problema e o Brasil ficará toda a vida sem petróleo. Com um sábio da marca do Visconde para nos guiar, com as idéias da Emília e com uma força bruta como a do Quindim, é bem provável que possamos abrir no pasto um formidável poço de petróleo. Por que não?


Disse e ficou pensando no assunto com os olhos nas andorinhas que desenhavam " riscos de velocidade" no céu azul. Depois chamou o geólogo e disse:


- O amigo Visconde já deve estar afiadíssimo em geologia de tanto que lê esse tratado. Pode, portanto dar parecer num problema que preocupa. Acha que podemos tirar petróleo aqui no sítio?
O Visconde respondeu depois de cofiar as palhinhas do pescoço:


- É possível sim. Com base nos meus estudos estamos em terreno francamente oleífero


- Lá vem! Lá vem o pedante com os tais temas arrevesados. Que quer dizer oleífero?


- Oleífero, quer dizer produtor de óleo. Frutífero produtor de frutas; argentífero, produtor de prata...


- Milhífero, produtor de milho – gritou a boneca, aparecendo e metendo o bedelho na conversa. Em vez de tanta ciência, eu preferia que o Senhor Visconde produzisse grãozinhos de milho de pipoca. Há um mês que a tia Nastácia não rebenta nenhuma, porque o milho acabou. Se este sabugo de cartola produzisse pipocas em vez de ciência, seria muito melhor.


- Não encrenque Emília – ralhou Pedrinho. Estamos a tratar dum assunto muito sério: o petróleo. Que acha de abrirmos um poço de petróleo aqui no sítio?


Emília arregalou os olhos. A lembrança pareceu-lhe de primeiríssima.


- Ótimo, Pedrinho! Até parece idéia minha. E tenho um plano maravilhoso para conseguir uma perfuração bem redonda e profunda.


- Qual é?


- O tatu. Amarra-se um tatu pela cauda e pendura-se ele de cabeça para baixo no ponto onde queremos abrir o poço. Na fúria de fugir, o tatu vai furando, furando até chegar no petróleo.


- E aí?


- Aí espirra – e a gente fica sabendo que deu no petróleo.


Pedrinho tocou Emília da varanda e continuou a discussão com Visconde.


- Primeiro – disse o grande sábio – temos de abrir um curso de geologia. Sem que todos saibam algumas coisas da história da terra, não podemos pensar em poços. Como já li esta Geologia inteira, proponho-me a ser o professor.


- Ótimo, exclamou Pedrinho levantando-se. Vou avisar o pessoal que as aulas começam hoje mesmo. Otimissimo..."


É muita moleza. O resto vcs. precisam ler no livro impresso, pois um dos temas que está em evidência é o Petróleo no Br.

O Poço do Visconde foi publicado em 1937; a primeira edição tinha o subtítulo Geologia para crianças; foi ilustrada pelo Belmont e sofreu muitas críticas, visto que o livro afirmava que havia petróleo no Brasil enquanto que os técnicos do governo diziam que no Brasil não tinha nem poderia ter petróleo. "As afirmativas de Visconde não passavam de heresia".

Lembrem-se que a Ministra Dilma fez referência ao citado livro ao falar do PRÉ-SAL.

Fui.

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